Vivendo na Borda: O que a Clínica nos ensina sobre o "Borderline" e a Crise do Simbólico A palavra borderline, uma adaptação já incorporada a nossa linguagem, remete diretamente à ideia de uma "borda". É como se o sujeito vivesse constantemente à beira de um precipício, oscilando entre o abismo e alguma estrutura. Historicamente, a modernidade tentou organizar o sofrimento humano em divisões muito claras: de um lado estava o "normal", aquele que é adaptado à regra, capaz de trabalhar, de amar, de formar vínculos e performar socialmente. Do outro lado, estava o "louco", que fora da realidade e desorganizado, era retirado do convívio social e colocado em manicômios. No entanto, a alma humana possui uma complexidade imensa e não cabe em "caixinhas" ou classificações estanques – da mesma forma que não somos definidos de forma engessada por nossos signos do zodíaco. A vida não é apenas preto no branco, e o diagnóstico borderline nos ajuda ...
Assuntos diversos estão na pauta do divã, do dia-a-dia da clínica, a a n s i e d a d e é uma delas. Mas vamos devagar. Você tem ansiedade? Ufa, que bom! Se assim não fosse você não levantaria da cama, não faria um lanche quando estivesse com fome, não se preocuparia com o seu futuro, com o seu amanhã nem com o de seus filhos, companheiro(a)e por aí vai. Ter ansiedade é saudável, ok? Faz parte da sua condição humana, assim como o medo, a vergonha, a culpa, entre outros. Bom, mas não é dessa ansiedade que quero saber, é daquela que meu coração acelera, começo a suar pelas mãos, não consigo me mexer, parece que vou morrer, é terrível! Não quero mais sentir isso! Ok, esse estado é de uma angústia muito grande, no limite do suportável, e muitas vezes, ultrapassa esse limite. Quem nunca teve isso não compreende como é se sentir assim. Mas, que fique bem claro, a ansiedade é uma condição humana. Não tem como você se livrar dela, mas assim como outras sensações, emoções...