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Vivendo na Borda: O que a Clínica nos ensina sobre o "Borderline" e a Crise do Simbólico

 Vivendo na Borda: O que a Clínica nos ensina sobre o "Borderline" e a Crise do Simbólico A palavra borderline, uma adaptação já incorporada a nossa linguagem, remete diretamente à ideia de uma "borda". É como se o sujeito vivesse constantemente à beira de um precipício, oscilando entre o abismo e alguma estrutura. Historicamente, a modernidade tentou organizar o sofrimento humano em divisões muito claras: de um lado estava o "normal", aquele que é adaptado à regra, capaz de trabalhar, de amar, de formar vínculos e performar socialmente. Do outro lado, estava o "louco", que fora da realidade e desorganizado, era retirado do convívio social e colocado em manicômios. No entanto, a alma humana possui uma complexidade imensa e não cabe em "caixinhas" ou classificações estanques – da mesma forma que não somos definidos de forma engessada por nossos signos do zodíaco. A vida não é apenas preto no branco, e o diagnóstico borderline nos ajuda ...

Ansiedade e Psicanálise - parte I


Assuntos diversos estão na pauta do divã, do dia-a-dia da clínica, a  a n s i e d a d e  é uma delas. Mas vamos devagar. Você tem ansiedade? Ufa, que bom! Se assim não fosse você não levantaria da cama, não faria um lanche quando estivesse com fome, não se preocuparia com o seu futuro, com o seu amanhã nem com o de seus filhos, companheiro(a)e por aí vai. Ter ansiedade é saudável, ok? Faz parte da sua condição humana, assim como o medo, a vergonha, a culpa, entre outros. 

Bom, mas não é dessa ansiedade que quero saber, é daquela que meu coração acelera, começo a suar pelas mãos, não consigo me mexer, parece que vou morrer, é terrível! Não quero mais sentir isso! Ok, esse estado é de uma angústia muito grande, no limite do suportável, e muitas vezes, ultrapassa esse limite. Quem nunca teve isso não compreende como é se sentir assim. Mas, que fique bem claro, a ansiedade é uma condição humana. Não tem como você se livrar dela, mas assim como outras sensações, emoções e mesmo sentimentos, quando está demais, há um desequilíbrio. 

Na neurociência ela é tratada de forma muito objetiva, que é de uma preocupação com futuro. É uma aceleração de pensamentos provocada por um circuito neuronal específico composto pela amígdala e neutroransmissores que podem se desequilibrar, como serotomina e dopamina. As sugestões de tratamento para a ansiedade vão desde o MindFulness, uma mistura de meditação sem religiosidade, uma coisa Hippie sem estar em comunidade bicho-grilo. È uma prática de visualizações, respiração para provocarem um estado de relaxamento mental e física que devem ser feitas no dia-a-dia, com a finalidade da consciência e presença no que você está fazendo no momento, de estar presente no presente. É uma reedição ou um retorno a ética de Baruch Spinoza, aquela de que o sagrado não está no templo, mas na natureza. Uma ética prática. 

Também sugerem os neurocientistas atividades físicas, ter vida social, bem como o TCC como tratamento terapêutico, que é a Terapia Cognitivo Comportamental. Segundo a sua grande maioria de neurocientistas é a terapia mais indicada para isso que eles chamam de Transtorno de Ansiedade Generalizada, a tal crise de ansiedade da qual, todos os dias, alguém adentra um ambulatório de um posto, clínica ou hospital em cidades no mundo inteiro. A psiquiatria irá sugerir ansiolíticos e/ou antidepressivos para provocar, ou melhor encontrar um equilíbrio em sua vida. Encontrando esse equilíbrio, que consideram mudanças de comportamento, melhoria da saúde mental, haverá uma diminuição da medicação e o sujeito deve(ria) voltar a vida normal. Esse suporte temporário via medicação, muitas vezes, é necessário, porque as crises podem já estarem acontecendo há um tempo e o sujeito não estava conseguindo lidar sozinho com a situação, devido ao sofrimento e a constância das crises. Digamos que é o jeito mais rápido de “solucionar” o sofrimento, principalmente para aquele que dizem não ter tempo de um longo processo terapêutico. 



Então, a ansiedade dando sinais visíveis de que já está atrapalhando sua vida, dado que está causando transtornos. Infelizmente, mesmo assim, o cuidado sobre si está fora de cogitação, dado que não tem t e m p o . Ele(a) continua sem o tempo que ele tem, mas que justifica que não o tem de não ter tempo de ter tempo para o tempo que ele acha que não tem... confuso né, foi de propósito. Esse sujeito poderá encontrar um caminho à cura, se é que isso aconteça, talvez uma cura que possibilite o enfrentamento do sofrimento, quando ele perceber que esse tempo que está correndo sem parar dentro dele comece a diminuir de correr. Quando ele diz que não tem tempo para terapia, também não tem tempo para si mesmo, nem tampouco para os filhos, para o estudo, namorar, para, enfim parar um pouco, que seja para apreciar uma mosca na sopa, um café! Ele continuará nessa maratona infindável, ele continuará na rotina insana do tempo que não tempo de perguntar para o tempo quanto tempo o tempo tem. 


Não há dúvidas que mudanças de comportamento, de rotinas, de exercício que tragam o fico para o presente, bem como da ajuda de um profissionais de saúde irão contribuir para melhorar quadro de ansiedade mais intensas. Porém, sabe-se, pela psiquiatria e neurociência, que não há certezas da origem das crises de ansiedade, da sua causa. Já para a Psicanálise, a abordagem terapêutica um pouco diferente. Continua no próximo post.

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