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Vivendo na Borda: O que a Clínica nos ensina sobre o "Borderline" e a Crise do Simbólico

 Vivendo na Borda: O que a Clínica nos ensina sobre o "Borderline" e a Crise do Simbólico A palavra borderline, uma adaptação já incorporada a nossa linguagem, remete diretamente à ideia de uma "borda". É como se o sujeito vivesse constantemente à beira de um precipício, oscilando entre o abismo e alguma estrutura. Historicamente, a modernidade tentou organizar o sofrimento humano em divisões muito claras: de um lado estava o "normal", aquele que é adaptado à regra, capaz de trabalhar, de amar, de formar vínculos e performar socialmente. Do outro lado, estava o "louco", que fora da realidade e desorganizado, era retirado do convívio social e colocado em manicômios. No entanto, a alma humana possui uma complexidade imensa e não cabe em "caixinhas" ou classificações estanques – da mesma forma que não somos definidos de forma engessada por nossos signos do zodíaco. A vida não é apenas preto no branco, e o diagnóstico borderline nos ajuda ...
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Estrutura Clínica atualmente

  A Essência da Clínica Analítica: Escuta, Transferência e Transformação A clínica analítica é um espaço de relação humana focado na escuta do outro . Diferente de outras abordagens, ela opera sobre um "trilho específico" que possibilita a transformação do sujeito através do ato da fala, endereçada a alguém que se supõe possuir um saber sobre o que escuta. Essa prática não é uma invenção moderna. Remonta a rituais milenares, como a roda em volta da fogueira, pela qual circulação da palavra servia para elaborar as experiências da vida, transformando o ser humano em um " animal ruminante simbólico ". A Posição do Analista e a "Regra de Ouro" Historicamente, a palavra "clínica" vem do grego klinein , que significa inclinar-se, sugerindo que o profissional se debruçava sobre alguém com menos potência. No entanto, a psicanálise moderna desafia essa hierarquia: a visão do profissional infalível e patriarcal está vencida, dando lugar a uma troca ...

Ansiedade e Psicanálise - parte II (A cura pela fala)

  A psicanálise parte de um princípio teórico das causas da a n s i e d a d e por um viés diferente. A do  funcionamento do que Freud elaborou sobre o conceito de INCONSCIENTE . Esse conceito já existia, na filosofia principalmente, mas ele foi além. Em resumo, as crises de ansiedade, na qual o sujeito sente  sintomas terríveis, são motivadas por uma interpretação de algo ameaçador, uma ameaça a vida. Porém, você não percebe, você não enxerga nada que ameace a sua vida. O que te deixa mais confuso! Por que estou sentindo tudo isso? E o pior,  teus amigos e familiares visivelmente acham que é frescura, porque quando você vai parar no hospital não te dão nenhum diagnóstico, pressão normal, oxigenação normal, etc.  Quem nunca passou por isso, não tem noção do que você está sentindo! Mas vamos lá, porque a psicanálise interpreta a ansiedade de forma diferente da neurociência , da psiquiatria e mesmo da psicologia em relação ao tratamento. A psicanálise é uma tría...

Ansiedade e Psicanálise - parte I

Assuntos diversos estão na pauta do divã, do dia-a-dia da clínica, a   a n s i e d a d e   é uma delas. Mas vamos devagar. Você tem ansiedade? Ufa, que bom! Se assim não fosse você não levantaria da cama, não faria um lanche quando estivesse com fome, não se preocuparia com o seu futuro, com o seu amanhã nem com o de seus filhos, companheiro(a)e por aí vai. Ter ansiedade é saudável, ok? Faz parte da sua condição humana, assim como o medo, a vergonha, a culpa, entre outros.  Bom, mas não é dessa ansiedade que quero saber, é daquela que meu coração acelera, começo a suar pelas mãos, não consigo me mexer, parece que vou morrer, é terrível! Não quero mais sentir isso! Ok, esse estado é de uma angústia muito grande, no limite do suportável, e muitas vezes, ultrapassa esse limite. Quem nunca teve isso não compreende como é se sentir assim. Mas, que fique bem claro, a ansiedade é uma condição humana. Não tem como você se livrar dela, mas assim como outras sensações, emoções...

Dúvidas sobre o que é, como funciona, quanto tempo e quanto custa o tratamento com um psicanalista

Questionamentos comuns: Não sei se tô pronto para uma terapia. Chegar lá ele(a) vai ficar me analisando? Vou ter que falar coisas que não quero? Vou ter que fazer ou treinar um comportamento, mas se eu não quiser? Não sei nem como funciona isso, como é que é? O que tenho que falar? Quanto tempo vai demorar e quantas vezes eu tenho que ir por semana? É muito caro?(!) Não tem nada a ver com essas imagens. Um psicanalista nunca irá te analisar com um computador, ou um tablet, ou uma lista de temas de casa a serem feitos. Estar pronto para um processo terapêutico é algo bem importante e extremamente individual. Individual no sentido de alguém dizer que você precisa de uma terapia não é um indicativo. A não ser que mais de uma pessoa insista nessa ideia, talvez você deva considerar. Eu estou aqui porque meu namorado me disse, minha mãe me disse. Ok, são pessoas importantes aos quais você deva dar ouvido, mas é importante que você, acima de tudo, perceba essa necessidade.   Ver texto a...

Hum, acho que tô precisando de uma terapia

O estranho que nos habita Você está num bar falando com um amigo de um problema íntimo e se dá conta que está contando algo íntimo pela primeira vez, o que lhe traz algumas reflexões durante e depois dessa conversa. Numa outra situação, retornando da empresa, faculdade ou colégio, chega em casa triste, arrasado na verdade, porque acabou de ter uma briga feia com seu namorada(o). O mundo parece que vai acabar. Num terceiro cenário hipotético, você está com uma amiga (duas amigas conversando) e você se dá conta que já é não é a primeira vez, talvez seja a quarta, que o assunto é o mesmo, só relacionamento com homens violentos. Bom, vamos por parte. Estar num bar falando coisas íntimas para um amigo é algo comum, mas se dar conta que é algo íntimo, você estaria precisando, no mínimo, colocar para fora alguma coisa incômoda. Embalado pela cerveja, pela música e pela companhia, algo que já o incomodava saiu para fora como num impulso, quase como um vômito... saiu meio atravessado, mas saiu....